Friday, October 30, 2009

Modelon S.A.


A revista da American Bar Association patrocina um projeto chamado Legal Rebels que reúne advogados que estão reinventando a profissão e sua prática. Nesta semana, a revista tras uma matéria sobre Andrew Grech, o diretor executivo da Slater & Gordon Lawyers, o primeiro escritório do mundo de capital aberto.

Saturday, October 24, 2009

Is Greed good?



Talvez a principal preocupação da regulação americana de mercado de capitais seja a correção da assimetria de informações entre as empresas (e seus conselheiros, diretores, executivos e empregados) e investidores. Uma parte desta preocupação se reflete na enorme quantidade de informações que deve ser publicada periodicamente ou em conexão com determinados atos (ofertas, fatos relevantes, solicitação de procurações, etc.). Outra parte se reflete na proibição de que pessoas transacionem valores mobiliários com base em informações que ainda não foram disseminadas ao mercado (também chamado de insider trading).

A prática e o crime de insider trading foram eternizados na cultura popular por Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street: Poder e Cobiça. Douglas, que é famoso pelo seu ativismo político, tem uma relação complicada com seu personagem. Ele se irrita profundamente com jovens banqueiros que lhe dizem que Gekko foi a inspiração para que entrassem na profissão. Tanto assim que, dizem as más línguas, ele e Oliver Stone estão filmando Wall Street 2 somente para mostrar ao mundo que Gekko, de fato, é mau.

Mas será que ele é tão ruim assim? Não de acordo com Donald Boudreaux que esta semana escreveu um interessante artigo em defesa da legalização do insider trading. Boudreaux argumenta que a atual proibição é ineficiente pois somente consegue detectar quem transaciona com base em informações privilegiadas mas não quem deixa de transacionar. Ele argumenta também que muitas informações importantes não chegam ao mercado com a velocidade devida e que problemas como os da Enron e da WorldCom não teriam ocorrido caso insider trading fosse legalizado.

O tema é obviamente controverso e Boudreaux levanta questões importantes. Por outro lado, deixa de tocar em muitos dos argumentos a favor da proibição como o aumento da confiança do mercado e o incentivo para que grandes acionistas monitorem a empresa ao invés de ganhar dinheiro com insider trading. Na realidade, este debate não é novo mas não deixa de ser interessante. Afinal, is greed good?

Friday, October 23, 2009

Rudimentos de Propriedade Intelectual



A famosa foto de Barack Obama é motivo de uma briga entre a Associated Press e o artista Shepard Fairey. Aproveitando o ensejo, Tim Wu dá uma aula sobre a doutrina de "fair use".

Slate - Is there "Hope" for Shepard Fairey?

Boemia, aqui me tens de regresso

Pois é, após longas férias, Sêu Lata reabre o boteco.

Saturday, April 4, 2009

A decisão do FASB

Semana passada foi marcada pela aparentemente bem sucedida reunião do G-20, mas uma decisão do Financial Accounting Standards Board (FASB) acabou sendo tão importante, senão mais, para o bom humor do mercado. O FASB decidiu relaxar algumas regras contábeis que determinavam a marcação à mercado de certos ativos considerados ilíquidos. A regra contábil de marcação à mercado determina que as empresas precifiquem seus ativos pelo valor pelo qual eles poderiam ser vendidos em um curto espaço de tempo e não pelo seu valor de custo. Apesar de, no geral, esta ser uma regra que traz maior transparência, ela apresenta problemas quando os ativos são ilíquidos. Se você tiver que vender imediatamente um ativo ilíquido você terá que oferecer um desconto provavelmente maior do que o fluxo de caixa do ativo trazido a valor presente. Daí os bancos não quererem vender esses ativos (que também são chamados de tóxicos).

Enquanto os bancos seguram esses ativos, é muito difícil estabilizar o sistema financeiro. Por um lado, a regra de marcação à mercado faz com que os bancos tenham que reprecificar os ativos toda a vez que o mercado piora. Esta reprecificação, apesar de não impactar o fluxo de caixa do banco, gera um prejuízo contábil que é abatido contra o capital do banco. A quantidade de dinheiro que um banco pode emprestar (ou de ativos que ele pode carregar) é um múltiplo do seu capital. Se o capital diminui, o banco precisa reequilibrar o seu balanço, o que é feito através de recomposição de capital (emissão de ações) ou disposição de ativos. Essas são alternativas complicadas nos dias de hoje. Por um lado, as ações estão sendo negociadas a preços historicamente baixos, o que significa que para conseguir levantar o capital necessário o banco teria que emitir um número significante de novas ações o que diluiria seus acionistas atuais além de empurrar o preço das ações ainda mais para baixo. Por outro lado, vender seus ativos no mercado pode forçar novas marcações para baixo do resto do seus ativos (e indiretamente os ativos similares de outros bancos), o que cria um círculo vicioso.

Outro problema da regra de marcação à mercado é que ela dá aos bancos uma flexibilidade razoável na fixação do preço dos ativos. Essa flexibilidade faz com que o mercado fique desconfiado de que os ativos estão, na realidade, com um preço maior do que eles valem na prática. Eu já ouvi diversos economistas dizendo que se os bancos realmente fossem precificar seus ativos pelo valor pelo qual estes poderiam ser vendidos imediatamente, todos ficariam descapitalizados.

Por fim, para defender seus balanços contra a iminente descapitalização, os bancos simplesmente pararam de emprestar dinheiro. Isso fez com que a crise bancária passasse para o resto da economia. Daí porque o plano Geithner quer criar um mecanismo para limpar o balanço dos bancos.

Apesar de, na visão de alguns, a revisão da regra de marcação à mercado para um sistema de contabilização de custo (neste sistema você somente apura o a receita/prejuízo de um ativo no momento da venda) ser apenas uma mudança ótica, ela de fato gera uma maior estabilidade no mercado na medida em que os bancos deixarão de apresentar prejuízos contábeis a cada trimestre em função da não reprecificação dos ativos. Na prática, a nova regra diminui a capitalização requerida dos bancos, o que é benvindo em um momento de crise. Uma das idéias mais interessantes que ouvi foi a de que a capitalização bancária deveria ser anticíclica, ou seja os bancos deveriam ser forçados a guardar dinheiro quando a economia vai bem e liberados para emprestar quando a economia vai mal.

Por outro lado, a nova regra também torna os bancos menos dispostos a vender seus ativos tóxicos, o que pode ser um problema para a implementação do Plano Geithner.

Para enriquecer a discussão, fiz uma seleção de links relacionados à nova regra contábil da FASB.

FASB

Financial Times

Accounting Observer

Financial Executives Blog

Senseoncents

Naked Capitalism

Financial Times Blog

Friday, March 27, 2009

Dois Chopps

C.Q.D. Demissão em massa na AIG pode afetar os contribuintes. [The Big Money]

Mais sobre CDSs [Entrepreneurial Business Law Journal]

Café com o presidente no século 21 [White House Blog]

O relatório anual de Warren Buffet [Berkshire Website]

A proposta de regulação de Geithner [House of Representatives' Website]

Thursday, March 26, 2009

South Park explica a crise

Poupança



CDO's



E o melhor: Bailout

Wednesday, March 25, 2009

Falando em um dia de fúria...

Essa foi a recepção que Gordon Brown teve no parlamento europeu. Independentemente de concordar ou não com a crítica (confesso não saber direito a quantas anda a economia inglesa), eu gostaria de ver mais gente no Congresso brasileiro com a combatividade e a clareza de Hannan.



Mas os mercados parecem que concordam com Hannan já que a Inglaterra não conseguiu concluir uma emissão de dívida soberana hoje.

Eu me demito!



O New York Times publica hoje a carta de demissão de um dos executivos da AIG.

Tuesday, March 24, 2009

Saideiras

Samy, mais sobre CDSs.
[Skeel and Partnoy]
[Soros]

To B or not to B?



O advogado geral de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou hoje que diversos executivos da AIG concordaram em devolver seus bônus o que resultaria em uma economia de US$50 milhões. Cuomo parece ter ameaçado os executivos de divulgar seus nomes caso eles não concordassem.

Eu estava incomodado com essa gritaria toda com o bônus da AIG porque esta é uma obrigação contratual constantes dos contratos de trabalho. O argumento de que bônus não deveriam ser pagos a executivos que praticamente quebraram a empresa não leva em consideração o fato de que, na indústria financeira, uma parte do bônus constitui verdadeiro salário. Por outro lado, se a empresa estivesse em recuperação judicial, os executivos provavelmente se tornariam credores da empresa e receberiam apenas uma porcentagem do seu bônus. Ou seja, a lei de recuperação judicial americana (o famoso "Chapter 11" da "Bankruptcy Law") contem respostas mais ou menos adequadas a este tipo de situação.

Isto me levou a escrever para o meu professor de direito falimentar e perguntar para ele o que ele achava de uma reforma da lei falimentar americana para torná-la mais atrativa em caso de instituições que são "too big to fail".

Ele gentilmente respondeu:

Hi, Luis: This kind of proposal has been made-- either a new chapter, or the introduction of new powers to resolve the distress of systemically important debtors. I can see the argument, although it seems to me that it's not really necessary to change the bankruptcy laws. Nothing about the bankruptcy rules prevents the government from guaranteeing senstive assets (such as GM's warranties) or from lending money to the debtor. And the existing reachback provisions already could be used to challenge the bonuses in a case like AIG. It's generally much easier to force repayment of bonuses in bankruptcy than outside of bankruptcy.

Posteriormente ele postou em seu blog um link para este artigo que ele publicou recentemente chamado "Bankruptcy or Bailouts? Uma defesa do procedimento de recuperação judicial e excelente relato da crise.

Café com o presidente

Esta semana Obama lançou uma ofensiva na mídia em defesa das diversas ações do governo. Inspirado pelos "fireside chats" que Franklin Roosevelt usava para falar diretamente com o público americano, Obama foi no Jay Leno e no 60 minutes (abaixo) e hoje assina um artigo no Los Angeles Times.


Watch CBS Videos Online

O Plano Geithner - Reações



A reação positiva dos mercados ao plano não se sustentou e as bolsas caíram hoje. Mas a briga continua, ou melhor, sequer começou. O New York Times publicou hoje a análise de diversos economistas sobre o plano anunciado. Enquanto isto, o prêmio Nobel Joseph Stiglitz descreve o plano como um roubo de recursos dos contribuintes americanos.

E já tem gente mostrando sérios furos na proposta.

To infinity and meyond

O comediante Steven Colbert ganhou o concurso da Nasa para nomear o novo módulo da Estação Espacial Internacional. [Washington Post]

The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
Space Module: Colbert - Vote Now
comedycentral.com
Colbert Report Full EpisodesPolitical HumorNASA Name Contest

E agora, o que é que eu digo lá em casa?



A Slate publicou hoje um artigo descrevendo o caso de mães de aluguel que pararam de receber as quantias acordadas porque o trust em que os pais haviam depositado o dinheiro quebrou.

Por outro lado, segundo o Wall Street Journal, nossa vida eterna também parece estar mais longe por causa da crise.

Business Judgment Rule

Uma das regras mais básicas do direito societário americano impede as cortes de revisarem decisões gerenciais de uma empresa a não ser em certas limitadas circunstâncias. Esta é a chamada "Business Judgment Rule" que também está presente, com algumas modificações, na legislação societária brasileira.

Samy enviou uma recente decisão da Corte de Delaware reiterando a validade da Business Judgment Rule em face de decisões tomadas pelos Conselhos de Administração de empresas que compraram os ativos tóxicos. Ele também enviou este resumo feito pelo escritório Willkie Farr. O blog agradece.

Hey Paul Krugman

Stephen Dubner, um dos autores do Freakonomics chama a atenção para este vídeo. Hilário.

Sunday, March 22, 2009

O Plano Geithner



Amanhã a administração Obama apresentará o seu plano para destravar o mercado de crédito. Assim como o plano inicial do governo Bush, o cerne do plano de Tim Geithner, atual Secretário do Tesouro, é a recompra dos chamados ativos tóxicos dos bancos. O plano anterior foi atropelado pela deterioração da situação econômica e a dificuldade na sua implementação e acabou sendo convertido em injeção de capital direta nos bancos (este mesmo capital que deixa os contribuintes americanos putos com o pagamento de bônus por essas instituições).

Desta vez, a recompra dos ativos tóxicos seria feita através de parcerias público-privadas que seriam o canal através do qual a administração estaria subsidiando a compra desses ativos. Reuni aqui algum material sobre o plano como este ótimo FAQ, esta explicação e a crítica que o Paul Krugman faz em seu blog.

Toxic Assets Plan is a Big White House Test [FT]
US Sets Plan for Toxic Assets [WSJ]

Thursday, March 19, 2009

Imprimindo Dinheiro




Esta é a nova arma que o Fed encontrou para tentar resolver a crise. Veja como funciona.

O povo contra a AIG




A briga do Congresso com a AIG ainda está rendendo. Hoje a Câmara aprovou uma pesada tributação sobre qualquer bônus pago por qualquer entidade que tenha recebido ajuda do governo americano. A legalidade da medida está sendo questionada seja por sua retroatividade. Este post do Dealbreaker examina a constitucionalidade da lei.

A medida é obviamente populista. Eu acho que há abusos aqui e ali, mas o fato é que no mercado financeiro, de uma maneira geral, o bônus é simplesmente parte da remuneração. Além disso, o Congresso tem pepinos bem maiores para resolver.

Confiança

Acabei de ouvir esta palestra de Michael Shermer sobre seu livro "The Mind of the Market" que toca em diversas questões em uma área da economia conhecida como economia evolucionária (ou evolutiva, não tenho certeza sobre a melhor tradução). Em um determinado momento ele se refere a este artigo sobre a neurobiologia da confiança. O artigo traz uma pesquisa reveladora: em uma amostra de quase 30 países o Brasil é o país em que as pessoas menos confiam umas nas outras.

Na realidade, isto sequer me surpreende tantos são os exemplos pessoais e profissionais desta falta de confiança. Para ficar em dois exemplos banais: aqui nos EUA ninguém rubrica página de contrato e não existe cópia autenticada.

Wednesday, March 18, 2009

Saideiras

Duas questões muito discutidas no debate sobre a regulação financeira. Venda de futuros de ação à descoberto e
Marcação à mercado.

O terror dos economistas: controle de preços. [Greg Mankiw's blog]

A briga sobre a legislação sindical [The Big Money]

Com um pouco de atraso, Maddof. [Slate] [Bloomberg][WSJ Law Blog]

O Obama não é socialista! [Washington Post]

Tuesday, March 17, 2009

Alexander Hamilton



Um dos momentos mais fascinantes da história americana é a independência e consolidação dos Estados Unidos. O número e a riqueza dos personagens, dos debates, das guerras e das crises que marcaram o período que vai da revolta do chá em Boston até o fim do governo de Jefferson é sem par na história mundial. Os chamados "Founding Fathers" (Washington, Franklin, Jefferson, Hamilton, Adams, entre tantos outros) e suas idéias marcam até hoje não somente a história, mas a própria estrutura do governo americano. Por tal razão, eu recomendo este artigo biográfico de Alexander Hamilton, assim como a leitura de um dos seus artigos mais famosos e mais citados pelas cortes americanas, o Federalist # 78.

Nocaute

No primeiro assalto. Foi até sem graça. Deu pena de ver o Jim Cramer no programa.


St. Patrick's Day

Duas dicas de tecnologia




A primeira nem é bem tecnologia e sim de conteúdo. ITunes U é uma seção do Itunes que contém aulas, palestras, cursos, seminários, etc. de universidades, faculdades e outras instituições de ensino. Detalhe: é tudo de graça! Yale, Harvard, Stanford, UPenn, Oxford, Cambridge e LSE são apenas algumas das instituições que tem disponibilizado material no ITunes. Logicamente que existem muitas palestras sobre a crise econômica, mas o alcance do ITunes U é bem maior. Eu recentemente fiz um curso de mitologia grega (curso mesmo, mais de 50 horas de aula). Detalhe lembrado pelo Fred: eu faço o download do material no meu IPod e escuto ou vejo as aulas no caminho para o trabalho ou na academia. Vale muito a pena conferir.

A segunda dica é uma ferramenta do Google para leitores de internet compulsivos como eu. O Google Reader organiza todos o material publicado nos diversos sites e blogs que eu acompanho em uma única página da internet.

Monday, March 16, 2009

O bônus da AIG

A vida imita a arte e a AIG quer distribuir bônus com o dinheiro dos contribuintes americanos. E claro, isto deixa muita gente irritada.

Mas os executivos querem mais ajuda:

A crise bate na porta

Ando um pouco atrasado com a postagem porque fui ao casamento de um amigo neste final de semana. No dia antes de eu viajar, a crise chegou ao escritório. Mais de 250 pessoas foram demitidas. Minha equipe sofreu um corte de 20%. A crise ficou pessoal, ganhou drama, tensão, rostos e estórias.

Wednesday, March 11, 2009

O Futuro do capitalismo



Eu dei bobeira e foram publicados vários artigos no Financial Times no especial entitulado o Futuro do Capitalismo. Ainda não consegui ler todos para comentar, mas fica o link para quem estiver interessado.

Amartya Sen e o falso debate

Amartya Sen escreve hoje um brilhante ensaio sobre a crise atual na qual ele faz um exame sobre o que Adam Smith realmente escreveu. Sen inclusive se arrisca a especular sobre como Smith reagiria à presente crise financeira. Na minha opinião, o mais revelador do texto é o quanto o debate Estado x Mercado é falso já que nem o "pai" do liberalismo encarava esta dicotomia como categorias absolutas ou mutuamente exclusivas. E isto há um quarto de século. O debate acadêmico hoje em dia é extremamente mais refinado, aliás, como percebe-se pelo restante do texto de Sen.

Tuesday, March 10, 2009

E a briga continua...

Pois é, John Stewart continua a pegar no pé da CNBC. O melhor é que parece que o Jim Cramer aceitou ir no programa nesta quinta. Vai ser engraçado...


E hoje foi o Bernanke...



Pois é, mais alguém a tratar sobre a regulação do sistema financeiro. E olha que o mercado reagiu muito bem. A razão pela qual eu dou tanta atenção para esse tipo de notícia é porque eu acho que é na regulação, ou re-regulação, do sistema financeiro que o impacto da crise atual realmente será sentido. Os pacotes de ajuda, sejam eles na forma de gastos governamentais, redução de impostos, compra de ativos podres ou injeção de capital, são, obviamente, muito importantes mas têm uma natureza temporária. Por outro lado, as grandes leis que regulam o sistema financeiro nasceram em crises como esta. David Skeel, meu professor de direito societário na Penn, escreveu este ótimo livro sobre esse movimento pendular de liberalização e regulação. Para quem não se lembra, o trambolho da Sarbanes-Oxley nasceu em resposta à bolha da internet e às falências da Enron e da Worldcom. Se uma crisezinha daquelas gerou a SOX imaginem o que vai nascer agora.


Bernanke urges Regulatory overhaul [Financial Times]

Saideira

Mais uma pro Samy. Observations on Management of Senior Credit Default Swap Credit Events

Monday, March 9, 2009

Mais sobre a re-regulação financeira



Complementanto a discussão de ontem sobre a re-regulação financeira, os professores Richard Posner e Gary Becker pulicaram os posts abaixo em seu blog. Eu particularmente gosto da idéia do Becker de requerer capital mínimo de todas as instituições e aumentar este requerimento de acordo com o tamanho de cada instituição.

Re-regulating the banking industry. Posner Becker

John C. Yoo

Este é o nome do professor de direito de Stanford que trabalhou no Departamento de Justiça dos Estados Unidos no governo Bush. Ele foi escolhido para o cargo justamente por sua visão, digamos, heterodoxa sobre o alcance dos poderes do presidente. Foi baseado em pareceres de sua autoria que a administração anterior autorizou a tortura, Guantanamo, escutas sem mandado judicial, etc. Estes pareceres foram fundamentais porque isentavam de qualquer responsabilidade os agentes do poder executivo. Yoo agora está na berlinda por conta dos pareceres. As perguntas são muito interessantes: Em que medida um advogado pode ser responsabilizado por emitir um parecer contrário ao entendimento majoritário? E se ele foi escolhido justamente por conta de seu entendimento minoritário?


[The New York Times]

O próximo Google?

Eu já perdi a conta do número de matérias que foi publicada sobre esse tal de Twitter. Hoje eu não resisti e dei uma conferida. A primeira impressão foi a pior possível já que este negócio de ficar dividindo com o resto do mundo nossas irrelevâncias privadas não é para mim. Mas este artigo da Slater mostra que a função busca pode ser interessante. Especialmente para aquelas notícias imediatas que o Google realmente não consegue captar.

Parágrafo do Dia


But in 1959, girls were given a vehicle with which to play out their fantasies of being a young woman who was neither infantilized nor relegated to caretaker. And because she was modeled on a German porn doll, she was an idealized vision of sexual beauty, of eye-popping perfection. No wonder she's had so much sex with Ken—or with other Barbies, as American girls own an average of 12; it's only logical that scenes from Caligula are played out in kids' bedrooms every day.


The Big Money

Merril Lynch no Brasil

O Wall Street Journal publicou hoje este artigo sobre a grande aposta que o Merril Lynch fez no Brasil logo antes de ter sido forçado a se fundir com o Bank of America. Parece que eles roubaram vários executivos do UBS e do Credit Suisse a preço de ouro.

Aparentemente os executivos brasileiros não querem saber de devolver ou renunciar à remuneração acordada. Só que o agora Bank of Amerrillwide (como o blog Dealbreak chama a fusão do Bank of America com o Merrill Lynch e o Countrywide) é um dos grandes recipientes de ajuda do governo americano e o Congresso está louco para por a mão de volta nesta grana. Essa briga ainda vai render.

Sunday, March 8, 2009

Compro Ouro



Já tem gente desconfiada da capacidade dos governos aguentarem o tranco. Hedge Funds turn to gold

Dois Chopps

E os compradores de imóveis querem pular fora. [New York Times]

E o passado do capitalismo

O artigo de Wolf é muito bem complementado por um documentário da PBS feito no início da década chamado "Commanding Heights - The Battle for the World Economy". Segue abaixo o trecho de abertura que eu encontrei no You Tube:



O futuro do capitalismo



Martin Wolf, comentarista chefe de economia do Financial Times, publicou hoje o primeiro de uma série de três artigos entitulada "O futuro do capitalismo". O artigo desta semana, "Seeds of its own destruction", faz um interessante histórico crítico da economia mundial.

Ele descreve um cenário nada otimista e eu não acho (ou desesperadamente não quero acreditar) que a situação chegou no estado apocalíptico descrito por Wolf. Mas o artigo, além de muito bem escrito, levanta várias questões que devem ser discutidas mais a fundo.

O melhor plano para resolver a crise

Saturday, March 7, 2009

Too big to fail

Em 2005, quando ninguém imaginava que uma crise deste tamanho estava no horizonte, eu cursei uma matéria sobre a regulação financeira americana. Na prática, isto significou estudar toda a regulação financeira implementada por Roosevelt em resposta à crise de 29 e à subsequente desregulação que aconteceu epecialmente na administração Reagan mas também sob Clinton e os Bushs.

As comparações da crise atual com a crise de 29 abundam na mídia, e, apesar dos exageros, de fato, naquela época muitos bancos pediram falência. Um dos marcos da regulação Rooseveltiana foi o Glass-Steagall Act que, entre outras coisas, impôs a separação entre bancos comerciais (Citi, Chase, Bank of America) e bancos de investimento (Goldman, JP Morgan, Morgan Stanley). Este é talvez apenas o mais emblemático exemplo de uma série de leis que objetivavam a desconcentração do sistema bancário americano. O grande argumento (ou mesmo medo) dos legisladores que aprovaram tais leis era o aparecimento de instuições que concentrassem muito poder, ou que se tornassem tão grandes que não poderiam falir sem levar o resto do sistema financeiro americano com elas.

A obrigação da separação entre os bancos comerciais e bancos de investimento só caiu em 1999 por uma pressão enorme do Citibank para que o Congresso aprovasse sua fusão com a seguradora Travelers. O argumento econômico era que o Citi não conseguia competir em igualdade de condições com seus rivais europeus, todos eles bancos universais.

Seguindo a risca a cartilha de reconstruir toda a regulação Rooseveltiana, Paul Volker, ex-presidente do Fed e chefe do conselho econômico de Obama, defendeu ontem a separação entre bancos comerciais e bancos de investimento.


Volker urges dividing investment, commercial banks

O quão séria é a crise

Sempre que eu converso com algum colega brasileiro o assunto da crise americana é inevitável. "E aí? Como anda a coisa por aí?" Nestes últimos meses, invariavelmente, a resposta é: "A coisa ta preta". Hoje o Above the Law faz um balanço das demissões nos escritórios americanos.

Cutting to the chase, 337 attorneys and 795 staff of major law firms have been let go this week - upping the record for the worst week of BigLaw layoffs to 1,132.


A matéria completa com o resto dos números chocantes pode ser vista aqui.

Dois Chopps

Capitalismo Americano x Social Democracia Européia [Slate]

Friday, March 6, 2009

When the president does it, that means it is not illegal

Acabei de assistir ao excelente Frost/Nixon de Ron Howard. Imperdível!

Dois Chopps

Dimensões da Crise. A Bolsa de Nova York suspendeu hoje o requerimento de que as ações nela listadas sejam negociadas em valores superiores a US$1. [Dealbreaker]

Samy, a pedidos. A SEC aprovou isenções permitindo que o ICE US Trust opere como uma central de liquidação de CDSs. [SEC]

Veja essa também. No dia 15 de Abril haverá uma mesa redonda na SEC para debater a regulação das agências de avaliação de crédito. [SEC]

Mirim

Na última quarta um dos comentaristas da CNBC (um canal americano que cobre o mercado financeiro) cancelou de última hora sua entrevista com o John Stewart. O John não gostou...





Picture 841.png

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Thursday, March 5, 2009

Saideira

A gente aproveita e compra o Citi também. [FT]

O que é a Proposição 8?

Ontem nas saideiras, eu deixei este link para um artigo sobre a Proposição 8. Mas o que é a Proposição 8?

Um dos debates mais ferrenhos que ocorre hoje nos EUA se dá em relação aos direitos dos homossexuais. Esta é a nova fronteira do civil rights movement americano. A California historicamente é palco destas batalhas. A origem deste movimento foi muito bem retratada no filme Milk que eu fortemente recomendo.

Inspiradas por um movimento que se originou em Massachusetts no começo da década, diversas cidades californianas passaram a emitir licenças para o casamento de pessoas do mesmo sexo. Inconformado com a postura das cidades o movimento social-conservador passou a sistematicamente tentar anular os casamentos homossexuais. Estas ações anulatórias acabaram na Suprema Corte da Califórnia que em maio do ano passado decidiu que a constituição californiana protegia o casamento homossexual.

A reação não tardou. Uma proposta de emenda constituicional esclarecendo que o casamento é entre um homem e uma mulher foi incluída entre as consultas populares realizadas juntamente com as eleições presidenciais de novembro do ano passado. Esta proposta é a Proposição 8.

Tanto a inclusão da Proposição 8 como a força da campanha dos sociais-conservadores pegaram os defensores do casamento homossexual despreparados e a Proposição 8 foi aprovada.

Pois bem, o caso que a Suprema Corte da California está ouvindo hoje diz respeito tanto à validade dessa emenda como com o que fazer com os milhares de casais gays que casaram legalmente.

California Supreme Court - Proposition 8 Cases

Garçom, dois chopps

It's the end of the world as we know it. [New York Times] [Dealbreaker]

And I feel fine. [Less than the Least]

Wednesday, March 4, 2009

A NFL e o Sherman Act




A Suprema Corte Americana indicou que vai rever uma decisão da Corte do Sétimo Circuito entendendo que a NFL é uma "single entity" e portanto estaria isenta da aplicação do Sherman Act (a lei concorrencial americana).




Scotusblog

Em resumo...

Saideira

Proposition 8 - Suprema Corte da Califórnia ouve amanhã argumentos das partes [LA Times]

O capitalismo está funcionando? [Knowledge@Wharton]

Para eles, sim. [New York Times]

Relógios, Chocolates e Bancos



O Senado americano ouvirá nesta quarta-feira um dos executivos chefes do UBS AG. Na pauta está a discussão sobre a ação judicial movida pelo Tesouro americano acusando o banco suíço de cumplicidade com crimes fiscais praticados por seus clientes.

Se correr o bicho come, se ficar o bicho pega.

O quiprocó legal está no fato de que o cumprimento dos mandados judiciais americanos infringe a legislação suíça. Os clientes do banco foram rápidos e já moveram ações judiciais na Suíça para impedir o UBS de fornecer as informações.

Situação semelhante foi vivida pelo Google no Brasil no caso dos mandados judiciais requerendo informações de usuários. Estas informações eram protegidas pela legislação americana.

Reuters via Dealbreaker
Knowledge@Wharton

Well, that's the way it goes. Some you delight, others you don't.



Ummmm, deixa eu pensar, Simon, Randy e.....



...Paula!!!