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Talvez a principal preocupação da regulação americana de mercado de capitais seja a correção da assimetria de informações entre as empresas (e seus conselheiros, diretores, executivos e empregados) e investidores. Uma parte desta preocupação se reflete na enorme quantidade de informações que deve ser publicada periodicamente ou em conexão com determinados atos (ofertas, fatos relevantes, solicitação de procurações, etc.). Outra parte se reflete na proibição de que pessoas transacionem valores mobiliários com base em informações que ainda não foram disseminadas ao mercado (também chamado de insider trading).
A prática e o crime de insider trading foram eternizados na cultura popular por Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas em Wall Street: Poder e Cobiça. Douglas, que é famoso pelo seu ativismo político, tem uma relação complicada com seu personagem. Ele se irrita profundamente com jovens banqueiros que lhe dizem que Gekko foi a inspiração para que entrassem na profissão. Tanto assim que, dizem as más línguas, ele e Oliver Stone estão filmando Wall Street 2 somente para mostrar ao mundo que Gekko, de fato, é mau.
Mas será que ele é tão ruim assim? Não de acordo com Donald Boudreaux que esta semana escreveu um interessante artigo em defesa da legalização do insider trading. Boudreaux argumenta que a atual proibição é ineficiente pois somente consegue detectar quem transaciona com base em informações privilegiadas mas não quem deixa de transacionar. Ele argumenta também que muitas informações importantes não chegam ao mercado com a velocidade devida e que problemas como os da Enron e da WorldCom não teriam ocorrido caso insider trading fosse legalizado.
O tema é obviamente controverso e Boudreaux levanta questões importantes. Por outro lado, deixa de tocar em muitos dos argumentos a favor da proibição como o aumento da confiança do mercado e o incentivo para que grandes acionistas monitorem a empresa ao invés de ganhar dinheiro com insider trading. Na realidade, este debate não é novo mas não deixa de ser interessante. Afinal, is greed good?
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